11/12/2016

O que posso dar?

Treinar para a vida: com meu tempo; por meio das minhas habilidades; no que sou bom e nas minhas limitações a dependência de Deus; que erro e que arrependo; que liderar é o privilégio de servir; que viver tem um propósito; curtir a Sua criação; por meio de lembranças construídas nas nossa experiências juntos. 
Posso ensinar-lhes o Caminho para onde vou... 
Filhos, discípulos, amigos, parceiros...

11/08/2016

Era uma vez um Rapazinho

Era uma vez um rapazinho muito sem saber o que fazer. 

Certo dia ele recebeu um convite para participar de um acampamento, e gostou bastante. 

Quando já não podia mais ir, devido a sua idade, foi convidado a fazer parte da Equipe. 

Durante os treinamentos, aquele jovenzinho foi mudando, crescendo e ganhou experiências maravilhosas. Durante os acampamentos ele aprendeu sobre Deus, a tocar um instrumento, a liderar, tomou decisões importantes, cresceu espiritualmente, soube ser criativo e aprendeu a aprender...

Ele sabe que o acampamento é um pedacinho do céu, e vive esse pedacinho com tudo o que é, na igreja, no trabalho, na família...


E no dia do amigo, agradeço a todos aqueles que fazem parte da história desse rapaz.

Adhemar Augusto

02/08/2016

Equipante Animado

"Equipante desanimado gera acampante desanimado."
Este acampante (da esquerda, rsrsrs) me procurou pra dizer que não iria pra trilha pois não conseguiria calçar o tênis (uma das condições para uma trilha segura é estar bem calçado). Com a explicação dele não insisti para que fosse.
Chegou o momento de ir pra trilha e o garoto apareceu pronto pra ir e com o tênis. Não resistiu a animação da equipe e demais acampantes.
Não o vi mais até quando acompanhava o último grupo no final da trilha.
Quatro pessoas estavam bem atrás em relação ao último grupo e a razão do atraso era aquele acampante que caminhava com muita dificuldade. Somente ele de acampante. Os equipantes caminhavam pacientemente com ele.
Terminamos a trlha e aquele adolescente tinha superado o medo e.a dor.
Sem dúvida a equipe na pessoa do equipante (o da direita na imagem) fez o seu papel motivador para o acamapnte ir e paran terminar a trilha.
Parabéns equipe Acampamento PV Tocantins
#abrigoaventura #pvtocantins
 — com Marcos Negãoh.

23/05/2016

Treinamento da Equipe! Pra quê?

Estar na equipe nessa temporada foi uma experiência incrível

Sempre quis participar de um acampamento com o Tote e Valéria e quando surgiu a oportunidade não quis perder!

Passei três semanas trabalhando que contribuíram bastante para o meu crescimento como pessoa, como serva de Deus! Deus me presenteou grandemente com a oportunidade de estar lá.

A semana do treinamento foi a melhor, porque sempre fui a acampamentos, mas nunca tinha participado de um como equipe. Então, não tinha a mínima noção do que fazer. Estava com medo do que podia acontecer, porque ia ser colocada num quarto com 6 garotas, cada uma vinda de uma realidade diferente, de famílias diferentes, com pensamentos e ações diferentes... Iria passar 5 dias convivendo 24 horas com elas... então o medo era enorme. A semana do treinamento veio pra salvar mesmo! Aprendemos em primeiro lugar que estávamos ali porque Deus tinha um propósito para as nossas vidas. As palavras do Alan foram edificantes mostrando os personagens da Bíblia que confiaram no Senhor e que correram sem medo a carreira que lhes foi proposta. E era isso que a gente deveria fazer... correr sem medo aquela semana... Deus nos escolheu pra estar ali... então pra que ter medo? Ele proveria meios pra que tudo corresse bem. No treinamento pudemos analisar também as possíveis situações e as possíveis soluções. Isso nos deu uma base e o medo foi aos poucos sumindo. Aliás, pra que medo afinal? Deus estava do nosso lado. Não precisávamos temer. Medos do tipo: "mas e se ela me perguntar isso o que respondo?? Como aconselhar??" E Deus coloca a resposta no nosso coração: "a melhor conselheira é a Palavra de Deus." No final o medo se transformou em vontade de que o dia da da chegada dos acampantes viesse logo. Vontade de passar pra eles tudo o que aprendemos. Vontade de ser luz na vida deles. Vontade de em cada oportunidade que surgisse falar do amor de DEUS. Vontade de alguma pergunta ser feita só pra podermos aconselhar com a Bíblia e assim fazê-los chegar mais próximos de Deus. Ser testemunhas vivas de Deus. Mas antes disso tudo precisávamos organizar o programa do acampamento. A semana do treinamento serviu para a organização de tudo também. Ensaiar músicas, fazer cartazes, ensaiar teatro, pensar em noites especiais, fazer cartões de boas vindas, planejar horários, brincadeiras... Um trabalhão, mas todos agindo em equipe, e o cansaço nem vinha. Enquanto desenhávamos um cartaz aproveitávamos pra ensaiar uma música. Criamos também os gestos das músicas para as crianças e nos divertimos como se fossemos crianças também. Quando alguma coisa não dava certo já começávamos a pensar em outra logo pra substituir. As risadas, as brincadeiras, os esforços, os ensaios, os planejamentos, as frustrações, as dificuldades, o cansaço, tudo já tinha sido planejado no coração de DEUS.  Esta verdade é que nos consolava... que nós estávamos ali sendo apenas agentes dos planos de DEUS, instrumentos nas mãos Dele. E como diz a musica das crianças: Se é Ele quem dirige o barco tudo vai muito bem!!
E quando os acampantes chegaram não sei quem é que tava com mais vontade de que esse acampamento começasse logo: eles ou nós. Todos eufóricos já querendo saber onde era o quarto deles e nós querendo ver o rosto deles. E a partir desse momento Deus começou a nos usar pra fazer diferença na vida daquelas crianças. E a medida que o acampamento ia passando e chegando ao final queríamos aproveitar mais cada minuto. Cinco dias que antes passavam a ideia de ser uma eternidade pra se passar com pessoas estranhas agora pareciam tão pequenos pra conhecer melhor as dificuldade dos nossos "filhos" as necessidades, os anseios... Filhos sim... Pois dizer para tomar banho e escovar os dentes fizemos, de tudo! Dormir na hora certa, acordar na hora certa, comer direito, orar junto, estudar a Bíblia junto, conversar, arrumar a "casa-quarto" juntos... trabalho de pais sim! Dizem que as crianças aprendem muito com nosso atos, mas é bem verdade que aprendemos muito com elas também. 


Poderia ficar horas e horas escrevendo tudo que Deus realizou naquele acampamento. A obra dele é magnífica. O medo do começo já se transforma em coragem de enfrentar mais uma temporada! Não quero ficar de fora. Quero deixar Deus me usar mais uma vez. O Abrigo Aventura é realmente MAIS QUE UM LUGAR. Mesmo com todas as minhas limitações e dificuldades Deus fez a obra que ele tinha que fazer através de mim. Há uma frase que expressa bem isso: "Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos." E é exatamente isso. Quero trabalhar pra Deus enquanto eu viver, porque não há outro motivo, outro objetivo de vida que não esse: SERVIR! 

Quero encerrar com esse versículo: "Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e ministério que recebi do Senhor para testemunha o evangelho da graça de Deus."

Dra. Mariana Costa Rodrigues Abrão Constâncio, parceira do Abrigo Aventura


19/05/2016

Tive Um Sonho

Sonhei com esta imagem.


Amei, estudei, trabalhei, gastei dinheiro e tempo, deixei minhas vontades, corri riscos, fui desprezado, envelheci, acertei, errei, tive medo, sonhei...


Minha existencia é pra que este momento acontecesse pra esse jovem equipante e pra esses meninos. 


Permita-me continuar sonhando, meu Senhor.
Imagem: Joice Silva

18/05/2016

Ser Equipante

Abriu mão de estar com a namorada no final de semana ou jogar bola com os amigos no sábado a tarde; podia usar o sábado e domingo pra descansar da faculdade; ou quem sabe assistir um bom filme; uma viagem?; tantas outras opções...
Foi ser monitor de um grupo de 5 adolescentes num acampamento. Cara sem noção...
Com certeza um dos objetivos mais interessantes desses acampantes era o de trolar este jovem monitor e juntos rirem nas costas dele até não aguentar mais. É bem certo que não dormiu bem na primeira noite.
Isso não é tudo: foi preciso mediar os conflitos dentro do grupo e estimular tomada de decisões da pequena comunidade; correu com eles na brincadeira noturna e ensinou que nem sempre a gente ganha no jogo da vida; fez boia cross; teve que aguentar as brincadeiras que um dia achou boas demais e hoje julga infantis; suportou e até participou num tipo de competição de arrotos e peidos; foi impopular em chamar a atenção por comportamento ruim; não deixou de pegar no pé pra que arrumassem a cama, organizassem a mala ou limpassem o banheiro; e quando tudo parecia levar pra cama ainda tinha uma trilha noturna...
Pai, professor, pastor, amigo, líder de um grupo que agora é família. Um grupo formado por pessoas que nunca mais esquecerão deste monitor e melhor, daquilo que ele ensinou.
Vão lembrar das risadas em volta da fogueira olhando pro céu e curtindo as estrelas; de um cara amigo que brincava junto, mas que era firme quando a situação exigia; lembrar de um cara que as vezes foi chato e que outras parecia da mesma idade que a deles; vão lembrar que quando ele falava de Jesus, parecia que eram amigos tão íntimos que era como se estivesse falando si mesmo.
* Este cara tipifica tantos outros e outras que tomaram do seu tempo como monitores em acampamentos para compartilhar Jesus em uma pequena comunidade de acampantes por alguns dias.
Créditos: Joice Silva

13/04/2016

Deus me Ama?

Levando alunos para a aula de Educação física, peço que façam silêncio ao passarmos ao lado de uma sala onde a professora estava falando com seus alunos(estávamos andando em fila). Logo a seguir, ouço um aluno dizendo:
- Eu odeia a tia......, eu odeio a tia..... (professora da sala pela qual acabávamos de passar).
Parei, abaixei-me e olhando nos olhos dele disse:
- Você odeia a tia....., mas Jesus AMA você e por causa desse amor você também pode amar a tia......
Levantei e continuei conduzindo a fila. Alguns passos depois ouço esse aluno:
- Tia, tia, tia.
Parei novamente, abaixei-me como antes e olhei pra ele.
- Tia, Jesus gosta de mim mesmo?
- Ele te AMA (fulano)!
- Ah..... (e saiu saltitando)
Voltei conduzir a fila até ao ginásio.

21/03/2016

O Que é Um Menino

O que é um menino?
Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade há uma deliciosa criatura chamada menino. Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidas, todos os meninos têm o mesmo credo: aproveitar cada segundo da cada minuto de todas as horas de todos os dias e protestar ruidosamente – o barulho é sua única arma quando seu último minuto é decretado e os adultos os empacotam e mandam pra cama.
Meninos são encontrados em todas as partes: em cima de, embaixo de, dentro, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para. As mães os adoram, as meninas os odeiam, irmãos e irmãs mais velhos os suportam, os adultos os ignoram, Deus os protege. Um menino é a verdade com rosto sujo, a beleza com um corte do dedo, a sabedoria com um chiclete no cabelo, a esperança do futuro com uma rã no bolso.
Quando você está ocupado, um menino é um conversa-fiada intrometido e amolante. Quando você deseja que ele cause boa impressão, seu cérebro vira geleia, ou se transforma em uma criatura sádica e selvagem empenhada em desmontar o mundo ao seu redor.
Um menino é um híbrido: o apetite de um cavalo, a disposição de um engole-espadas, a energia de uma bomba-atômica de bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de um ditador, a imaginação de um Júlio Verne, o retraimento de uma violeta, o entusiasmo de um bombeiro e quando se mete a fazer alguma coisa é como se tivesse cinco polegares em cada mão.
Gosta de sorvete, canivetes, serrotes, pedaços de pau, água (no seu ‘‘habitat’’ natural), bichos grandes, Papai, sábados, domingos e feriados, mangueira de água. Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras, lições de música, colarinhos, barbeiros, meninas, agasalhos, adultos e ‘‘hora de dormir’’. Ninguém se levanta tão cedo, nem chega tão tarde para o jantar. Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorros e mosquitos. Ninguém mais é capaz de meter num único bolso um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade, um metro de barbante, um saco de matéria plástica, duas pastilhas de chiclete, uma nota de dois reais, um estilingue e um fragmento de substância ignorada’’.
Um menino é criatura mágica: Você pode mantê-lo fora de seu escritório, mas não pode expulsa-lo de seu coração. Pode pô-lo para fora da sala de visitas, mas não pode tira-lo de sua mente. Queira, ou não, ele é seu captor, seu carcereiro, seu dono, seu patrão, um cara sarapintado, um nanico, um mata-gatos, um pacote de encrencas. Mas quando à noite você chega em casa, com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços, ele possui a magia de solda-lo em um segundo, pronunciando duas palavras somente: “Oi paieeee!...”
(Não sei quem é o autor deste texto, mas tenho a impressão de que eu escrevi junto...)

Na Casa Errada

Na Casa Errada!
Já mudei tanto de residência que até adquiri conhecimentos específicos para uma vida mais fácil numa mudança.
Morávamos em uma casa em Santo André, SP e deveríamos mudar mais uma vez. Desta mudaríamos para um sobrado em São Bernardo do Campo, SP.
Numa quinta-feira juntamente com minha mãe e irmã fomos até este sobrado para vermos o que deveria ser feito quanto a limpeza antes da mudança. Uma senhora, esposa de um presbítero de nossa igreja, levou-nos até lá indicando o endereço.
Tinha três sobrados com o mesmo desenho e os números deles estavam dez em dez: 126, 136 e 146. Colocamos a chave na porta do 126, que esta senhora nos indicara. Já dentro da casa conferimos as dependências internas e usamos as chaves que estavam dentro da casa para acessarmos as demais dependências.
Na sexta-feira voltamos até a casa e a limpados toda. No sábado, com toda a família, fizemos a mudança.
Tínhamos colocado o piano no seu lugar, fixado as cortinas, montado as camas, ajeitando os livros da biblioteca do meu pai...
Aquela senhora que tinha mostrado a casa foi fazer-nos uma visita no final daquela manhã, enquanto terminávamos de colocar móveis e tudo mais no seu devido lugar. Desta vez seu marido estava junto. Acharam estranho pois tinham batido na porta e não atendemos. Observando melhor perceberam o movimento na casa ao lado e então, descobriam e nos disseram que estávamos na casa errada.
Achei que era uma brincadeira, uma pegadinha, mas era sério - estávamos com a mudança na casa errada.. Aquele presbítero era advogado e nos disse que deveríamos sair rápido da casa, pois o dono poderia nos levar a justiça por invasão.
O sobrado não era o de número 126 e sim o 146.
Foi uma correria esquisita para limparmos a outra casa e mudarmos todos os móveis, livros, piano, cortinas e tudo mais. Tivemos um socorro de algumas pessoas da nossa igreja.
Como a chave da casa 146 serviu para a fechadura da 126? Serviu e muito bem. Já as outras chaves das outras dependências estavam lá dentro e aí foi fácil.
Nunca imaginei fazer a mudança da minha família duas vezes no mesmo dia. Enfim, sobrevivemos e com mais uma história de mudanças.

Celular Não Pode

A aula do guia de um museu aberto é interrompida pelo toque de um celular. 
Como responsável pelo grupo de alunos, com um gesto solicitando ao guia permissão e já falando bem irritado, cheio de moral digo aos alunos do 8° ano: “Já disse pra não trazer o celular e se estiver com ele desligue esse troço, coloque no silencioso, sei lá...” 
Apontando pro meu bolso um aluno diz: “é o seu que ta tocando Tote”...

O Perdão

Fui monitor em acampamentos por bons anos com um líder e amigo.
Buscava a fidelidade no que fazia e amava trabalhar nos acampamentos que este amigo dirigia. Era mais do que um chefe, era meu mestre, um líder e que tenho como referencial ainda hoje.
Numa manhã durante um acampamento de férias rolava um clima entre a equipe e este diretor do acampamento (não lembro o que era). Estávamos sentados em volta de uma mesa que ficava na área de lavação de louças e somente a equipe de monitores tinha acesso.
Estava no lado oposto e lembro que disse algo a ele que o ofendeu profundamente (sou bom nisso, sem orgulho é claro). Não é o cara do tipo que se ofende facilmente.
Estava com a caneca próximo a boca e parou... Desceu a caneca com vigor, mas sem violência olhando profundamente nos meus olhos e saiu daquele lugar.
Era fim de temporada. Procurava em minha mente algo que justificasse minha atitude, mas não encontrei. Recolhi meus pertences enchendo minha mochila e parti rumo a rodoviária da cidade. Logo no portão a esposa dele me alcançou e sem dizer nada me levou à rodoviária.
Viajei com um peso enorme na mente e no coração. Tinha perdido um amigo que acredita em mim, investindo muitas oportunidades. Pouquíssimas pessoas arriscariam seu prestígio em ser meu amigo.
Resolvi voltar aquela cidade após alguns dias na esperança de vê-lo e quem sabe ter a chance de pedir perdão.
Chegando lá soube que estava em uma cidade termal descansando após a temporada e que em sua companhia estava um tio meu e sua família. Fiquei esperando na casa deste tio, pois descobri que chegariam no dia seguinte.
Estava dentro da casa quando escutei o barulho do motor da camionete. Minha alma tremeu. Lá da sala ouvia vozes de alegria de todos. Lá dentro, numa adrenalina como poucas vezes senti na minha vida tinha uma dúvida cruel se devia ou não sair. Enfrentar o desprezo dele ou uma explosão de broncas pelo que eu tinha dito.
Num ato suicida, sai da sala e todos olharam para mim. Achei que morreria naquele momento (o que não era de todo ruim). Caminhei na direção deles com o coração a mil e ele veio ao meu encontro. Tentei dizer algo, mas não conseguia e sem dizer nada me deu um longo abraço que jamais esquecerei. Um abraço de perdão, de amor, compreensivo, amigo.
Aos meus queridos amigos: Alan e Ezia Mullins

A Mochila

No meu canto pude ouvir vozes ainda não conhecidas chegando meio desconfiadas, ansiosas e até acanhadas.
Logo pude ver todos andando de um lado para o outro preparando sua bagagem pessoal e do grupo. Também vi algumas palestras conhecidas e outras até novas para mim.
Interessante uma comunidade se formando por pessoas tão diferentes e ao mesmo tão iguais nas expectativas.
Cada um tem pensamentos expostos e ações para serem aceitos e reconhecidos rapidamente ao grupo.
No dia seguinte com mochilas prontas, carta e bússolas nas mãos, orientações, grupos de barracas e refeições divididos, embarcamos para darmos início a caminhada pela Serra do Cipó.
Um dos alunos, não se sente bem e logo o grupo divide a atenção no cuidado com ele e no avanço da expedição.
Sem muito caminhar por causa da saúde do companheiro, com aulas sobre orientação e navegação, logo é montado o primeiro acampamento. Nosso companheiro de viagem piora e deve ser resgatado na manhã seguinte mudando a configuração do grupo e de algumas ações.
Amanhece, café da manhã, desmonte do acampamento e logo vem o momento de despedida. Esta nova comunidade em formação já tem um sentimento de um evento especial, a despedida de um membro. O que passa em cada coração?
Reinicia a caminhada e o tempo mostra sinais de chuva e como são lindos estes sinais. A chuva cai e protegidos pela cobertura da cozinha o grupo almoça e em seguida recebe aulas sobre tipos de tempestades.
Alguns parecem sentir o peso da mochila e observo quão desajeitados estão alguns para subir e descer a mochila das costas. Em suas mochilas estão suas roupas;equipamentos de uso pessoal; lanterna; itens de higiene pessoal; água; isolante térmico; saco de dormir... Também de uso comunitário: barraca; alimentos (o que mais pesa); utensílios e equipamentos de cozinha; resíduos que sobram após cada acampamento...
A cada dia o grupo se fortalecia nas suas relações através do experimentar as tomadas de decisões, vitórias, frustrações, aprendizado técnico, mudanças. Observo, mais uma vez, que o fortalecimento das relações não significam necessariamente menos conflitos. São, no entanto, colocados a prova na sua honestidade, respeito, ética, o cuidar do outro, nas habilidades individuais...
A cada passo, acampamento, rio, montanha, cânion e vale podia conhecer melhor cada pessoa desta expedição, mas um me chamou mais a atenção. Foi o Sóstenes. Que bom conhecê-lo e descobrir um pouco da sua relação com a família, com Deus, consigo mesmo e com este grupo. Sempre calado, fez parte do grupo do seu jeito. Até acho que deveria falar mais.
Suportou as dificuldades escritas pelo ambiente natural, que inicialmente acreditava seria o mais difícil, mas o que mais entendeu que o complexo não era o desafio da montanha mas sim os relacionamentos. A cada dificuldade vencida, mais moral pra próxima.
Passando o tempo me tornava mais próximo dele conhecendo-o mais. Pude ver crescendo sua adaptação ao ar livre, sua amizade com o grupo, seu desenvolvimento físico e técnico, seu prazer em curtir a bela natureza, a alegria em vencer cada dia, mas também identifiquei algumas frustrações. Nos primeiros dias compartilhou comigo questionamentos do tipo: “o que estou fazendo aqui neste lugar e nesta proposta?” Dividiu que preferia caminhar do que gastar tempo em algumas discussões tão fáceis de se tomar uma decisão, mas que dependia da afirmação de mentes incrivelmente diferentes. Posso entender perfeitamente este pensamento. Mas discordo, pois o confronto, egoísta ou não, testa e amadurece quem somos e também fornece a chance de ouvir e entender o pensamento do outro.
Passando dos cinquenta quilômetros nas montanhas, chegamos ao ponto onde deveríamos estar para que pudéssemos reabastecer e continuar nossa jornada. Uma parte do grupo sai ao encontro da equipe de apoio para buscar mantimentos e alguns equipamentos.
Permanecemos neste local por dois dias, sendo que um deles aconteceu a incrível experiência do "Solo" (quando cada pessoa se afasta do grupo e acampa só passando uma noite e parte do dia isolado). Ao voltar todos estão com nova experiência, emoções, aprendizado e muitas histórias que parecem fortalecer depois desta atividade.
Acampamento desmontado e mais uma vez o grupo sai em direção ao destino final. Cachoeiras, vales, cânions, montanhas, rios, pássaros e tantas imagens inesquecíveis.
Fizemos mais dois acampamentos sendo o último deles com ataque ao cume, como parte do planejado e desejado. Saímos todos pela manhã para a grande conquista e voltamos ao final do dia como grandes heróis e cheios de confiança.
A adaptação e o sucesso da experiência ao ar livre dependem do fator tempo, da experiência planejada, do equipamento adequado, respeito aos limites pessoais e do grupo, respeito a natureza...
Finalmente chegamos ao ponto final expedição. Logo vem a avaliação e comemoração e muitas histórias pelo feito desta viagem.
Em poucas vezes tive afinidade com uma pessoa como tive com este mais novo amigo. Estivemos sempre próximos e testemunhei suas dificuldades, alegrias, frustrações, vitórias, sentimentos vários proporcionados por uma expedição fantástica. Foram pouco mais do cem quilômetros em quatorze dias juntos, mas parecem que foram bem mais, devido as profundas experiências.
A todos que estiveram lá, antes desconhecidos e agora amigos, carrego lembranças e marcas enquanto cumpria o meu papel de levar toda a bagagem de um montanhista.
Sou simplesmente uma mochila de noventa litros, azul, surrada e que esteve lá. Carrego muitos tipos de bagagem, mas não as que permanecem coração e na lembrança.

Lanterna

Fui equipante num acampamento e tive cinco acampantes pré-adolescentes, filhos de missionários estrangeiros e todos eram amigos antes de chegarem ao acampamento. Isso me deixava em desigualdade no iniciar o relacionamento com eles.
O acampamento acontecia num seminário, que durante os fins de semana e férias funcionava também como acampamento. Na mesma área moravam missionários (acho que canadenses) que trabalhavam no seminário e parte dos meus acampantes eram filhos de alguns deles.
Tinha viajado de ônibus por mais de mil quilômetros, vindo de outro acampamento de férias no qual tinha trabalhado durante um mês. Estava cansado, num local desconhecido, colegas de equipe desconhecidos, filosofia e regras diferentes das dos acampamentos que normalmente trabalhara e acampantes com muita energia pra toda uma noite. Era apenas a minha primeira noite e desejava ter paciência e energia para iniciar os primeiros passos na conquista da amizade dos meus acampantes.
Aqueles meninos levaram para o quarto suas lanternas, alguns brinquedos e muitos planos. Fizemos a devocional com dificuldades, apresentei-me como conselheiro deles naquela semana. Estavam doidos para apagarmos a luzes iniciando sua diversão, que em parte era torturar o seu conselheiro.
Aguentei com valentia parte da noite até que pedi de maneira mais dura para que fizessem silêncio, ou tomaria as lanternas. Claro que não acreditaram em mim. Depois de um tempo acendi a luz novamente, desci do beliche e peguei a primeira lanterna que encontrei.
Apaguei a luz, deitei-me e conseguimos um pouco de paz, mas o clima no quarto já não era mais favorável a mim, óbvio.
No dia seguinte, após o café da manhã, apareceu um senhor no meu quarto e reclamou por ter tomado a lanterna do seu filho. Era um dos missionários que moravam ali. Sua abordagem foi de que eu estava errado e deveria devolver a lanterna para seu filho. Nunca passou por minha cabeça ficar com a lanterna do acampante, mas entendi que era isto que pensara de mim. A lanterna seria devolvida de qualquer maneira. Expliquei-lhe as minhas razões por ter pego a lanterna, mas não ficou satisfeito, o que deixou os meninos ainda mais distantes de mim.
Não tive sucesso com aqueles acampantes e dificilmente se lembrarão de mim como alguém que os ajudou naquela semana, no seu caminhar com Jesus. Uma frustração e uma sensação de tempo perdido viajando para tão longe, dedicado minhas férias e habilidades.
A primeira noite no acampamento como conselheiro é determinante para o resto da semana com os acampantes.

24/02/2016

Imagem é Tudo

Que imagem linda!

Dizem que imagem é tudo.

Olhando pra esta imagem e tento identificar a quantidade de equipamento de proteção individual pra quem está descendo; pra quem está esperando; equipamento pra equipe que está conduzindo; na quantidade de tempo e pessoal treinado (esta palavra deve ser negritado) para o lançamento, chegada e supervisão mesmo quando não em operação; nas polias; dos cabos de aço; das ancoragens; dos postes; fitas; mosquetões; da gestão de segurança (que envolve todos os itens anteriores e mais outros tantos)... É muito tempo, dinheiro e habilidades investidos aí pra uma experiência segura.

A imagem é tão linda, captando o encanto e vontade de experimentar. O que não se vê é o que pode matar (bom negritar aqui também). Dramático seria se fosse exagero.

Uma imagem linda da experiência é aquela que se curte com segurança e corre riscos sim, mas calculados.

Imagem pode não mostrar tudo, mas tudo que tem ou deveria ter, está registrado lá.

* Recomendo The Power of Camp pra quem trabalha com acampamento (profissionais, equipe ou proprietários), mas também pra acampantes e pais de acampantes.

22/02/2016

Amar Faz Tão Bem

Amar você me faz tão bem.
Que bom amar sem medo, sem vergonha, sem restrições, sem limites.
Na cerimônia da nossa união pensava que a amava muito. E amava sim, suficiente para ter certeza que era você, mas nem de longe poderia imaginar que a amaria como hoje.
São tantos e tão poucos anos juntos, e o tempo só confirma que em mais esta celebração, é a Deus que devo agradecer por ter me dado você pra poder amar.

02/02/2016

Equipe em Tempos de Crise

Ter uma equipe quando tudo vai bem já não é fácil e em tempos de crise ela se revela. Pode-se conhecer seu potencial, maturidade, competências, fidelidade e muito mais quando é colocada à prova mais profunda.
Algumas das primeiras tendências de membros da equipe na crise é: saltar fora; acusar; mostrar mágoas antigas; passar pro outro lado... Minoria é a medida daqueles que serão: leais; compreensivos; positivos; fieis... Em momentos difíceis é possível encontrar estes dois sentimentos na equipe, e o líder deve experimentar as diferenças, não guardando ressentimento de um lado e do outro investindo na gratidão.
É extremamente difícil focar em ser um líder e membro da equipe assim, mas posso escolher e tentar.

19/10/2015

Combinado não é Caro nem Barato

Ao ser contratado para uma prestação de serviço, será pedido um desconto. Se concordar com o desconto, tenha certeza de que na execução do serviço será cobrado sem o desconto.

24/08/2015

Bebi Demais

Por volta das 2h da madrugada, fazendo tirolesa com crianças que passam a noite na escola (um Pijamola).

O cabo está conectado entre duas árvores no pátio, cercado por alambrado o que facilita a visualização de quem passa pela avenida ao lado da escola.

As crianças se divertem com pulseiras de neon para festas. Usam nos braços, nas pernas, na roupa... Quando a criança desce na tirolesa o efeito fica legal.

Sobe um carro pela avenida e quando passa do ponto que estou (uma plataforma em uma das árvores), escuto a frenagem e o carro vem de ré parando próximo da plataforma. O motorista não me vê e diz para o passageiro: “acho que bebi demais, vi uma criança voando.”

06/08/2015

Meu Pai Bateu na Minha Mãe

Aluna (pintando um desenho e conversando com a professora): meu pai bateu em minha mãe.

Valéria (desconfiada e tentando ser discreta): como assim? Seu pai bateu em sua mãe?

Aluna: na minha mãe, em mim, nos meus irmãos. Bateu em todo mundo...

Valéria (investigando e quase denunciando): mas, como foi que isso aconteceu?

Aluna: meu pai é muito forte, ninguém consegue vencer ele na guerra de travesseiro....

05/08/2015

Meu Carro Sumiu

Estacionei meu carro na praça em frente a escola que trabalho.

Quando voltei não o estava encontrando. 


Logo veio uma adrenalina pensando o pior, mas logo achei. 


É que tinha lavado o coitado

27/05/2015

Acidente de Trabalho

Na terceira fila de poltronas do ônibus as lagrimas desciam no rosto de uma garota do 8º ano, mas era te tanto rir. Ela e mais 43 alunos por causa do meu tombo no ônibus durante uma viagem para o Memorial do Cerrado.
Meu corpo e orgulho doíam muito, mas a gargalhada dela dava gosto...

28/03/2015

Quando o Discipulado Acontece?

O discipulado aconteceu em minha vida!

Aconteceu em todo tempo que passamos juntos, em uma atividade, na preparação do programa, no trabalho juntos, no tratar com paciência quando errávamos, quando mostrava em como deveríamos ser servos fiéis ao nosso Deus, quando fazíamos estudos bíblicos, em uma simples conversa durante 20 minutos, nas viagens, na vida em família, na cozinha... Aconteceu principalmente nas coisas simples da vida...

Há sete anos eles plantaram uma semente e durante esse tempo regaram, cultivaram, esperaram crescer e amadurecer. Creio que hoje estão colhendo alguns frutos...
Testemunho de I. Castro

26/03/2015

Ameaçado a Refletir

Ontem à tarde fui assaltado.

Não foi a primeira vez e provavelmente não será a última.
 
Fui ameaçado com uma arma de fogo. Graças a Deus consegui escapar sem danos patrimoniais e principalmente físicos. Mas o psicológico nunca fica intacto, eu acho.


Fez-me refletir sobre o quanto essa situação no Brasil ou pelo menos em Goiânia está um absurdo. Mas acima disso, sobre o quanto somos vulneráveis, sobre como essa vida delicada pode acabar subitamente, sem nos dar tempo pra despedir de ninguém... 


Se o seu dia chegar hoje, como está seu relacionamento com as pessoas amadas? Como está o seu relacionamento com Deus?

Postado no facebook por VMT - Maç 2015

16/03/2015

Formiga Lava-pés

Durante uma temporada de férias, alguns equipantes tinham escondido para uma brincadeira noturna, uma das atividades preferidas dos nossos acampantes e equipantes.

Apagamos quase todas as luzes para deixar que os acampantes usassem suas lanternas.

Ao lado do ginásio de esportes, tinha tijolos amontoados no gramado do campo de futebol. Próximo deste monte de tijolos estava uma lona que tinha sido usada para cobrir o material de construção.

Um de nossos mais destemidos equipantes resolveu esconder debaixo daquela lona. Os acampantes até passaram por lá, mas achavam que era só um monte de tijolos e areia que estava ali.

A brincadeira já tinha passado um bom tempo e nada dos acampantes encontrarem aquele equipante aventureiro. Com o passar do tempo, ficamos preocupados pois poderia comprometer a atividade se tal equipante não fosse encontrado.

Com alguns equipantes que não estavam envolvidos na brincadeira, esperávamos perto de um sino, lugar estratégico para os acampantes virem até nós com seus resultados, quando avistamos vindo pelo campo de futebol, uma pessoa que pela altura, perfil e silhueta poderia ser o equipante difícil de encontrar.

Quanto chegou, uma luz bateu em seu rosto revelando hematomas e inchaços. Alguns colegas riram dele, inclusive eu (de que me arrependeria mais tarde), e envergonhado foi em direção do seu quarto. Fui atrás e chegando em seu quarto estava sem camiseta. Neste momento assustei e vi que era mais sério do que imaginava, pois os inchaços estavam por todo o corpo e seu rosto irreconhecível.

Indaguei aquele amado equipante o que tinha acontecido, pois deveríamos fazer algo por sua saúde. Foi então que entendi o que tinha acontecido. Aquele rapaz entrou debaixo da lona para se esconder e depois de um tempo sentiu o ardor pelo corpo. Eram as formigas lava-pés o atacando. Por que você não saiu? Perguntei a ele. Ele respondeu: Quando ouvi  vozes dos acampantes me procurando não quis sair mesmo com toda dor que sentia.

Já pisou sem querer num inocente montinho de terra e de repente se viu atacado por dezenas de pequenas formigas avermelhadas de ferroada dolorosa? Pois é, são as tais lava-pés, assim chamadas por que é preciso sair correndo e lavar os pés para se livrar delas! Na natureza está a maioria dos nossos acampamentos pelo Brasil e é claro, sempre tem formigas.

Aquele excelente equipante, amigo, parceiro tinha ido longe demais e poderia ter-lhe custado a vida, mas eu era o responsável final.

Como são intrépidos e destemidos alguns jovens que vão servir no acampamento!  Mais uma razão para que quando o equipante for esconder, devo saber aonde vai. Uma vitalidade incrível e que necessita de ajuda para usar. Auxiliar no uso de tanta energia, é o dever do líder para não expor o jovem servo a riscos desnecessários.

Tudo acabou bem depois de um banho, pomada antialérgica e uma conversa. Aquele jovem que serviu ainda em muitos acampamentos como equipante, hoje é um grande líder e pastor.


17/04/2014

07/04/2014

Amigos Necessários

Isabelly escreve:
"E às vezes, quando os procuro, 
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, 
porque eles fazem parte do mundo que eu, 
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida!"

Vinícius de Moraes

04/04/2014

Medo em Boa Dose

Acordei com as palavras do meu sábio herói e amigo na primeira vez que fui escalar um paredão.

Eu estava grudada no meio do paredão, tremendo tanto que quase caí dele. Daí olhei pra cima e disse: Estou com medo!

Ele respondeu mansamente: Eu sei, é por isso que é um desafio. E é daí que vem a emoção!

Então, é isso aí, que o medo seja na dose certa pra vida ser emocionante cada dia! E viva la vida!
GFDS

08/12/2013

Aprendi em Casa

Eu fiz um compromisso a ficar longe das drogas e não foi por causa do PROERD, mas por causa da educação que recebi de meus pais.

E sobre o PROERD eu me sinto seguro a me prevenir sobre as drogas e o bullying.

Eu aprendi a me prevenir sobre as drogas aprendendo também os seus efeitos. E essa decisão é importante porque é a certa segundo a Palavra de Deus.

Redação Nilo 5° ano – 2013 IPE

PROERD - Programa Educacional de Resistência às Drogas

17/11/2013

A Magia do Amor

Sempre gostei de contos de fadas. Desde criança ficava encantada com a magia que podia existir no amor, enquanto meu pai contava histórias de princesas.

Embora nunca tivesse visto essa magia no relacionamento dos meus pais ou de pessoas que me cercavam, sempre alimentei a esperança de que eu via nos filmes podia de fato acontecer.

Ensinaram-me um amor racional, de decisão e melhor escolha, mas no fundo não era só isso que queria.
Concordei com essa parte racional do amor, mas sempre achei que junto a isso devia haver uma luz, uma luz bem forte, que reascende a cada manhã quando os olhares se tocam. Que faz o mundo a nossa volta encantado e os sorrisos mais fluídos.

Escutei de muitos rapazes que o que esperava não existir. Que era invenção de escritor lunático. Resolvi não namorá-los por mais interessantes que fossem. Um dia conheci um casal. Um amor tão lindo que nem parecia real. Eles me deixaram conviver, incluíram-me em sua casa, chamaram-me amiga. E o mais importante, deixaram ver que o que eu esperava do amor, existia. Era funcional, era incrível, sensacional. Puro e real, verdadeiro e talvez imortal.

A magia existia! E a fonte dela era Cristo. A fonte daquela luz que se renova a cada manhã quando os olhares se tocam.

Chorei! E decidi que não queria para minha vida nada menos que esse tipo de amor.

Disse a Deus que esperaria o tempo que fosse preciso pra vivê-lo.

Esperei, amadureci, guardei-me, enquanto isso vivi.

Um dia, naturalmente a magia aconteceu. De uma amizade desinteressada depois de anos, a luz ascendeu.

Não casei-me com Edilson Antonio Santos porque é perfeito ou porque seja igual a mim. Casei com porque o dia que me olhou me quis com tanta forca, quis pra vida inteira. Quis como algo tão precioso que não se pode perder. Como algo tão essencial que não dá pra viver sem ter.

E assim, faça chuva, faça sol; na saúde ou na doença, de carro ou bicicleta, insensatos ou imperfeitos, todas as manhãs, quando nossos olhares se tocam, a luz reascende e a magia transpira. E os sorrisos sempre fluem.

16/11/2002- 11 anos de namoro
Grizly Ferreira Dias Santos

03/04/2012

Companheira de Expedição

No meu canto pude ouvir os sons de vozes ainda não conhecidas chegando. Vozes meio desconfiadas, ansiosas e até acanhadas.

Logo pude ver todos andando de um lado para o outro preparando sua bagagem pessoal e do grupo. Também vi algumas palestras conhecidas e outras até novas para mim.
Interessante uma comunidade se formando por pessoas tão diferentes e ao mesmo tão iguais nas expectativas.

Cada um tem pensamentos expostos e ações para serem aceitos e reconhecidos rapidamente ao grupo.

No dia seguinte com mochilas prontas, cartas e bússolas nas mãos, orientações, grupos de barracas e refeições divididos embarcamos para darmos início a caminhada pela Serra do Cipó.

Um dos alunos, não se sente bem e logo o grupo divide a atenção e preocupação com o ele.

Sem muito caminhar por causa da saúde do companheiro, com aulas sobre orientação e navegação, mínimo impacto  logo é montado o primeiro acampamento. Nosso companheiro de viagem piora e é resgatado na manhã seguinte mudando a configuração do grupo e de algumas ações.

Amanhece, café da manhã, desmonte do acampamento e logo vem o momento de despedida. Esta nova comunidade em formação e tem em si um sentimento de um evento especial, a despedida de um membro. O que passa em cada coração?

Reinicia a caminhada desta vez na liderança de outro membro. O tempo mostra sinais de chuva e como são lindos estes sinais. A chuva cai e protegidos pela cobertura da cozinha o grupo almoça e em seguida recebe aulas sobre tempestade elétrica.

Alguns parecem sentir o peso da mochila e também observo quão desajeitados estão para subir e descer a mochila das costas. Em suas mochilas estão suas roupas;equipamentos de uso pessoal; lanterna; itens de higiene pessoal; água; isolante térmico; saco de dormir... Também de uso comunitário: barraca; alimentos para 6 dias (o que mais pesa); utensílios e equipamentos de cozinha; resíduos que sobram após cada acampamento... Em média as mochilas (cargueiras) tem entre 70 a 90 litros.

A cada dia o grupo se fortalecia nas suas relações através do experimentar as tomadas de decisões, vitórias, frustrações, aprendizado técnico, mudanças. Pude observar, mais uma vez, que o fortalecimento das relações não significam necessariamente menos conflitos. São, no entanto, colocados a prova na sua honestidade, respeito, ética, o cuidar do outro, nas habilidades individuais...

A cada passo, acampamento, rio, montanha, cânion, vale podia conhecer melhor cada pessoa desta expedição/curso, contudo, tive maior afinidade com o Sóstenes. Foi interessante conhecê-lo e descobrir um pouco da sua relação com a família, com Deus, consigo mesmo e com este grupo. Sempre calado, fez parte do grupo do seu jeito.

Observei, nestes dias, uma pessoa calada, que expressava pouco suas opiniões. Acho que em alguns momentos até recuou em algo que gostaria ter falado.
Suportou as dificuldades escritas pelo ambiente natural, que inicialmente acreditava seria o mais difícil, mas o que mais entendeu  que o complexo não era o desafio da montanha mas sim os relacionamentos. A cada dificuldade vencida, mais moral pra próxima.

Cada dia me tornava mais próximo dele conhecendo-o mais. Pude ver crescendo sua adaptação ao ar livre, sua amizade com o grupo, seu desenvolvimento físico e técnico, seu prazer em curtir a bela natureza, a alegria em vencer cada dia, mas também identifiquei algumas frustrações e ou desenvolvimentos esperados não alcançados. Nos primeiros dias compartilhou comigo questionamentos do tipo: “o que estou fazendo do meu escasso e precioso tempo aqui neste lugar e nesta proposta?” Dividiu que preferia caminhar do que gastar tempo em algumas discussões tão fáceis de se tomar uma decisão, mas que dependia da afirmação de mentes incrivelmente diferentes. Posso entender perfeitamente este pensamento, pois quantas vezes não vi isto acontecer? Mas discordo, pois o confronto, egoísta ou não, coloca a prova quem somos e também fornece a chance de ouvir e entender o pensamento do outro.

Ao completar os 50 km chegamos ao ponto onde deveríamos estar para que pudéssemos reabastecer e continuarmos nossa jornada. Uma parte do grupo sai para ir ao encontro da equipe de apoio para buscar mantimentos e alguns equipamentos.

Permanecemos neste local por dois dias, sendo que um deles aconteceu a incrível experiência do Solo (quando cada pessoa se afasta do grupo e acampa só passando uma noite e parte do dia sozinho).

Ao voltar todos vem com uma nova experiência, emoções, aprendizado e muitas histórias que parecem fortalecidos depois desta atividade.

Acampamento desmontado e mais uma vez o grupo sai em direção ao destino final. Cachoeiras, vales, canyons, montanhas, rios, pássaros e tantas imagens inesquecíveis.

Fizemos mais dois acampamentos sendo o último deles com ataque ao cume, como parte do currículo do curso. Exceto os instrutores, todos saem pela manhã para a grande conquista e voltam ao final do dia como grandes heróis e cheios de confiança.

A adaptação e o sucesso da experiência ao ar livre dependem do fator tempo, da experiência planejada, do equipamento adequado e bom uso do mesmo, respeito aos limites pessoais e do grupo, mínimo impacto e respeito a natureza...

Finalmente chegamos ao ponto onde a equipe de apoio buscaria o grupo e logo vem a avaliação e comemoração pelo feito desta expedição.

Afirmo que em poucas vezes tive uma afinidade com uma pessoa como tive com este mais novo amigo. Estivemos sempre próximos e testemunhei suas dificuldades, alegrias, frustrações, vitórias, sentimentos vários proporcionados por uma expedição fantástica. Foram pouco mais do 100 km em 14 dias juntos, mas parecem que foram bem mais, devido as profundas das experiências.

A todos que estiveram lá, antes desconhecidos e agora amigos, minhas lembranças e impressões enquanto cumpria o meu papel. Não tenho saudades nem sentimentos, mas tenho registros. Nunca mais serei a mesma e já estou preparada para continuar acompanhar em outra viagem. Quem será a próxima pessoa que conhecerei em outra expedição? Sem dúvida não será igual ao Tote e nem tão pouco o grupo será o mesmo ou com as mesmas experiências e sentimentos.

Eu, a mochila, a companheira quase inseparável nesta expedição, escrevo esta história oferecida pela OBB e construída por 15 pessoas, agora amigos.
FEAL 2012 (Formadores de Educadores ao Ar Livre, da Outward Bound Brasil)


31/03/2012

Encarando a Derrota


Em uma competição de natação o pai acompanha orgulhoso seu filho.
Em meio a gritos eufóricos do pai o garoto faz seu salto e erra perdendo segundos preciosos. Tenta recuperar, mas não consegue e chega em última colocação.
Aquele homem está alegre por ver que o menino sabia nadar tão bem, mesmo que não chegasse ao pódio, estava orgulhoso. O pequeno nadador sai da água e enquanto seus oponentes caminham para os juízes, ele, retirando seus óculos vai para o vestiário.
O pai o acompanha com olhar sabendo do possível sentimento daquele nadador que inicia nas raias da vida. Indo atras, o pai descobre um vestiário vazio, mas seu filho está lá em algum lugar. Olhando por debaixo de uma porta fechada, reconhece aqueles pés. Então, escuta um discreto e contido choro. A dúvida do que fazer vem e resolve esperar. Senta num banco e espera pelo fim do choro e pela saída do filho do seu esconderijo seguro. Como foram longos aqueles minutos...
Ao sair o garoto encontra seu pai esperando-o com lenços de papel nas mãos. Vão ao encontro um do outro e se abraçam em silêncio.
Dizer o que? Bastava somente estar ali e carregar esta lembrança pra vida toda.