21/03/2016

O Perdão

Fui monitor em acampamentos por bons anos com um líder e amigo.
Buscava a fidelidade no que fazia e amava trabalhar nos acampamentos que este amigo dirigia. Era mais do que um chefe, era meu mestre, um líder e que tenho como referencial ainda hoje.
Numa manhã durante um acampamento de férias rolava um clima entre a equipe e este diretor do acampamento (não lembro o que era). Estávamos sentados em volta de uma mesa que ficava na área de lavação de louças e somente a equipe de monitores tinha acesso.
Estava no lado oposto e lembro que disse algo a ele que o ofendeu profundamente (sou bom nisso, sem orgulho é claro). Não é o cara do tipo que se ofende facilmente.
Estava com a caneca próximo a boca e parou... Desceu a caneca com vigor, mas sem violência olhando profundamente nos meus olhos e saiu daquele lugar.
Era fim de temporada. Procurava em minha mente algo que justificasse minha atitude, mas não encontrei. Recolhi meus pertences enchendo minha mochila e parti rumo a rodoviária da cidade. Logo no portão a esposa dele me alcançou e sem dizer nada me levou à rodoviária.
Viajei com um peso enorme na mente e no coração. Tinha perdido um amigo que acredita em mim, investindo muitas oportunidades. Pouquíssimas pessoas arriscariam seu prestígio em ser meu amigo.
Resolvi voltar aquela cidade após alguns dias na esperança de vê-lo e quem sabe ter a chance de pedir perdão.
Chegando lá soube que estava em uma cidade termal descansando após a temporada e que em sua companhia estava um tio meu e sua família. Fiquei esperando na casa deste tio, pois descobri que chegariam no dia seguinte.
Estava dentro da casa quando escutei o barulho do motor da camionete. Minha alma tremeu. Lá da sala ouvia vozes de alegria de todos. Lá dentro, numa adrenalina como poucas vezes senti na minha vida tinha uma dúvida cruel se devia ou não sair. Enfrentar o desprezo dele ou uma explosão de broncas pelo que eu tinha dito.
Num ato suicida, sai da sala e todos olharam para mim. Achei que morreria naquele momento (o que não era de todo ruim). Caminhei na direção deles com o coração a mil e ele veio ao meu encontro. Tentei dizer algo, mas não conseguia e sem dizer nada me deu um longo abraço que jamais esquecerei. Um abraço de perdão, de amor, compreensivo, amigo.
Aos meus queridos amigos: Alan e Ezia Mullins