21/03/2016

O Que é Um Menino

O que é um menino?
Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade há uma deliciosa criatura chamada menino. Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidas, todos os meninos têm o mesmo credo: aproveitar cada segundo da cada minuto de todas as horas de todos os dias e protestar ruidosamente – o barulho é sua única arma quando seu último minuto é decretado e os adultos os empacotam e mandam pra cama.
Meninos são encontrados em todas as partes: em cima de, embaixo de, dentro, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para. As mães os adoram, as meninas os odeiam, irmãos e irmãs mais velhos os suportam, os adultos os ignoram, Deus os protege. Um menino é a verdade com rosto sujo, a beleza com um corte do dedo, a sabedoria com um chiclete no cabelo, a esperança do futuro com uma rã no bolso.
Quando você está ocupado, um menino é um conversa-fiada intrometido e amolante. Quando você deseja que ele cause boa impressão, seu cérebro vira geleia, ou se transforma em uma criatura sádica e selvagem empenhada em desmontar o mundo ao seu redor.
Um menino é um híbrido: o apetite de um cavalo, a disposição de um engole-espadas, a energia de uma bomba-atômica de bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de um ditador, a imaginação de um Júlio Verne, o retraimento de uma violeta, o entusiasmo de um bombeiro e quando se mete a fazer alguma coisa é como se tivesse cinco polegares em cada mão.
Gosta de sorvete, canivetes, serrotes, pedaços de pau, água (no seu ‘‘habitat’’ natural), bichos grandes, Papai, sábados, domingos e feriados, mangueira de água. Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras, lições de música, colarinhos, barbeiros, meninas, agasalhos, adultos e ‘‘hora de dormir’’. Ninguém se levanta tão cedo, nem chega tão tarde para o jantar. Ninguém se diverte tanto com árvores, cachorros e mosquitos. Ninguém mais é capaz de meter num único bolso um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade, um metro de barbante, um saco de matéria plástica, duas pastilhas de chiclete, uma nota de dois reais, um estilingue e um fragmento de substância ignorada’’.
Um menino é criatura mágica: Você pode mantê-lo fora de seu escritório, mas não pode expulsa-lo de seu coração. Pode pô-lo para fora da sala de visitas, mas não pode tira-lo de sua mente. Queira, ou não, ele é seu captor, seu carcereiro, seu dono, seu patrão, um cara sarapintado, um nanico, um mata-gatos, um pacote de encrencas. Mas quando à noite você chega em casa, com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços, ele possui a magia de solda-lo em um segundo, pronunciando duas palavras somente: “Oi paieeee!...”
(Não sei quem é o autor deste texto, mas tenho a impressão de que eu escrevi junto...)